sábado, 22 de outubro de 2011

Carta a um Canalha Morto

     Infelizmente você morreu. Lamento não por que tenhas morrido, já que não farás falta alguma, mas porque agora não poderei lhe falar tudo o que gostaria de ter dito. Fiquei engasgado.

     Talvez tenha sido por excesso de educação, sempre esperando o momento certo, porém,  passou o tempo. Havia muitas verdades que mereciam um cenário contundente, para externar todo o conteúdo de dramaticidade das situações, que não poderá mais ser reproduzido.

     Sempre respeitei todas as pessoas, não por seus títulos, bens ou pela idade, mas por humanidade e criação. Afinal, os canalhas também envelhecem. E consequentemente me dou conta que também morrem.

     Ficou um dissabor, uma horrenda sensação de fracasso. Queria que sentisses aquilo que senti. Que minhas palavras fossem afiadas facas que perfurassem sua alma e transformassem sua existência no pó que realmente vales.

     Sua insignificância me deixou entorpecido. Baixei a guarda e dei a chance de um energúmeno sem caráter me atingir. Seu oportunismo sorrateiro me pegou desprevenido. Abri espaço em minha vida para ser machucado por um ninguém.

     A verdade é que não se perdeu absolutamente nada. Espero sinceramente que o demônio te guarde no lugar de merecimento, seu definitivo descanso nas profundezas do fogo do inferno.

     Apenas desejo que pelo menos, toda a dor, a mágoa e o ressentimento saiam de meu coração e sejam contigo enterrados, para que enfim possa renascer.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Recomeçar

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." Chico Xavier
     Recomeçar não é fácil. Depois de muito percorrer temos sempre a ilusão de ter edificado algo sólido, palpável, definitivo. Não tardamos a perceber que muitas de nossas conquistas, que apresentamos como certezas, são efêmeras e passageiras, se esvaem deixando sempre um vazio.

     O vazio nos incomoda. Nos deixa um sentimento de insegurança. Evidencia um tempo, que embora não seja, achamos perdido. Não nos dá sinais de novas conquistas a realizar. Sem certezas e seguranças nos sentimos perdidos, sem metas e direções. Não podemos planejar e viver a falácia da construção de um futuro perfeito. A incerteza é uma realidade da vida. Não dominamos o amanhã. Somos reféns da História.

     Mas ao recomeçar percebemos a beleza incólume deste incompreensível cenário. Há um enorme universo de possibilidades com milhares de coisas que não conhecemos. Não enxergamos ainda o quanto isso nos fortalece e nos dá vida. Uma nova vida, repleta de deliciosas incertezas e inseguranças. Basta abandonar os falsos conceitos transitórios e viver a aventura de começar novamente, quantas vezes preciso for.