sábado, 22 de outubro de 2011

Carta a um Canalha Morto

     Infelizmente você morreu. Lamento não por que tenhas morrido, já que não farás falta alguma, mas porque agora não poderei lhe falar tudo o que gostaria de ter dito. Fiquei engasgado.

     Talvez tenha sido por excesso de educação, sempre esperando o momento certo, porém,  passou o tempo. Havia muitas verdades que mereciam um cenário contundente, para externar todo o conteúdo de dramaticidade das situações, que não poderá mais ser reproduzido.

     Sempre respeitei todas as pessoas, não por seus títulos, bens ou pela idade, mas por humanidade e criação. Afinal, os canalhas também envelhecem. E consequentemente me dou conta que também morrem.

     Ficou um dissabor, uma horrenda sensação de fracasso. Queria que sentisses aquilo que senti. Que minhas palavras fossem afiadas facas que perfurassem sua alma e transformassem sua existência no pó que realmente vales.

     Sua insignificância me deixou entorpecido. Baixei a guarda e dei a chance de um energúmeno sem caráter me atingir. Seu oportunismo sorrateiro me pegou desprevenido. Abri espaço em minha vida para ser machucado por um ninguém.

     A verdade é que não se perdeu absolutamente nada. Espero sinceramente que o demônio te guarde no lugar de merecimento, seu definitivo descanso nas profundezas do fogo do inferno.

     Apenas desejo que pelo menos, toda a dor, a mágoa e o ressentimento saiam de meu coração e sejam contigo enterrados, para que enfim possa renascer.

Um comentário:

Anônimo disse...

Me estranha que uma pessoa que diz que - Sustenta o debate livre, no limite da educação - utlize a palavra CANALHA